Eu, viciada no Netflix, me confesso

12:51:00 Inês de Almeida 1 Comments


Desde que tenho acesso ilimitado à internet, que me lembro de fazer downloads. Sim, passei pelo eMule, Limewire e tantos outros que tais. Depois seguiram-se os sites de streaming, como o Wareztuga, que nunca tinham uma vida muito longa. [Lembram-se quando o filme ou a série parava mesmo na parte boa? A frustração que não era!] Por isso sou uma mulher feliz desde que tenho Netflix (ou uma couch potato, mas isso são outros quinhentos).

Apesar de não ter um arquivo tão composto como o Wareztuga, por exemplo, no Netflix encontram todas as séries com a assinatura Netflix, naturalmente, tais como House of Cards, Orange is The New Black, Narcos, entre outras. Assim como uma secção bastante rica de documentários e outra um pouco mais pobre de filmes (mas boa para 'desenrascar' num domingo à tarde). Para já vou falar-vos de duas séries que podem ver por lá e duas que não, mas que vale bem a pena sacar.

Narcos


Esta é uma das séries originais da Netflix que me agarrou do princípio ao fim. Não descansei enquanto não devorei os dez episódios. É a clássica luta do bem contra o mal, mas neste caso longe de ser literal, porque transmite bem as motivações e as lutas de ambos os lados. A história de Pablo Escobar continua a ser fascinante nos dias de hoje, e penso que assim perdurará, porque ele conseguiu atingir um poder e uma riqueza com que a maioria de nós nem sonha. Mas com um gigantesco preço a pagar, como é óbvio.


O narrador da história é um dos agentes da DEA que combate o narcotráfico na Colômbia e que, mais tarde, vai perseguir o próprio Escobar. A série desenrola-se a um ritmo rápido, com o ambiente e as músicas da Colômbia como pano de fundo. E eu, apesar da elevada criminalidade, pobreza e desgraça, não consigo deixar de sentir uma certa atracção pela América Latina.


Se ainda não vos consegui convencer, e aqui dirijo-me em específico para o público feminino que me lê, vejam-me estes agentes da DEA. Refiro-me aos dois da direita, em que se inclui o nosso querido Oberyn, que partiu de Game of Thrones demasiado cedo, mas que felizmente não saiu do pequeno ecrã em definitivo.

A segunda temporada de Narcos recomeça já em Julho e eu estou bastante curiosa para saber o que vai acontecer. Além daquilo que já nos dita a história, claro está.

Scream


Faço já aqui a ressalva, isto não é uma boa série per se, mas tem sido o meu guilty pleasure nestas últimas semanas. Eu sou bastante apreciadora de filmes de terror, desde miúda, e já corri quase todos. Incluindo aqueles cheios de clichés. Com um grupo de adolescentes em que cada um corresponde a um estereótipo, por exemplo. Em que temos a menina popular mas boazinha, a popular mais sluty, o geek porreiro, o atleta vazio, and so on. Se apreciam o género e um bom filme de terror à antiga, como The Texas Chain Saw Masacre (2003) ou o clássico Scream, então esta série pode ser boa para vocês. Não boa, boa, mas agradável de ver. Vocês percebem.


A série, à semelhança dos filmes Scream, começa logo com um assassínio. A premissa é a mesma, a história também. Pode-se dizer que é ao género das Pretty Little Liars, mas com acção. As perseguições na maioria das vezes acabam em mortes e isso, apesar de horrível, torna-se mais entusiasmante de ver. Os actores são fraquinhos, assim ao género dos putos dos Morangos com Açúcar, o que torna a série um bocadinho sofrível no início. Mas à medida que os episódios vão passando, ou eles se tornam melhores ou eu me habituei à parca qualidade da representação.


De qualquer forma, acabei por ficar estranhamente viciada nisto e dou por mim ansiosa que comece a segunda temporada, o que acontece já a dia 31 deste mês. 

Vinyl


Não sei como ainda não vos falei desta série, porque tem sido a que me deu mais gozo assistir nos últimos meses. Para os amantes de música é obrigatória, já que se pode dizer que esta é a verdadeira personagem principal da narrativa. A música não só domina a vida dos personagens de que fala a história, como invade o ecrã com muitas e boas sonoridades dos anos 70. Não raras vezes deu-me vontade de me levantar do sofá e começar a dançar.


Com Martin Scorsese e Mick Jagger como produtores executivos, só podia sair daqui uma grande série. E depois junta-se a isto o excelente papel de Bobby Cannavale, cuja interpretação do Richie Finestra faz a série. Também gosto muito de ver os trapinhos da Olivia Wilde, que consegue tirar o melhor que a moda dos seventies tem para oferecer.


Em poucas linhas, a série baseia-se na luta de Richie Finestra, um executivo de uma editora discográfica que a tenta salvar a todo o custo da falência. Muita música, dança, drogas e sexo é o que nos reservam os dez episódios da primeira temporada. O único ponto negativo que tenho a apontar à série é que por vezes falta um fio condutor mais forte. Às vezes parece que o enredo anda um bocadinho às aranhas, o que numa primeira temporada de uma série não faz grande sentido. No entanto isso é facilmente esquecido com os bons desempenhos dos actores (com destaque para Bobby Cannavale) e pela magnífica banda-sonora.

Girls


Como assim ainda não vos falei de Girls? Grande falha minha. O que dizer desta série criada e protagonizada pela Lena Dunham? Ao contrário da maioria das histórias sobre mulheres, aqui não vemos bonequinhas, totalmente seguras de si e com a vida encaminhada. Não, vemos mulheres como nós, a entrar na idade adulta aos tropeções. E isso é refrescante. Chega de mulheres perfeitinhas que não têm um dia de mau cabelo, que nunca exageram no número de copos que bebem, que não cometem um erro que seja. Isso não é a vida real e às vezes é bom ver alguém com quem nos possamos identificar na televisão, para variar!


É óbvio que esta série também tem o seu toque de exagero, ou não fosse entretenimento. Cada personagem tem um certo grau de loucura, mas eu adoro isso. Nunca dá para prever para onde a série se encaminha, o que vai acontecer a seguir. Por isso nunca fica aborrecida. E depois é a banda sonora, os personagens tão bem construídos e Nova Iorque como pano de fundo. Só tenho pena que os episódios sejam tão curtinhos (cerca de vinte minutos) e tão poucos (dez por temporada).


O que eu gosto em Girls é que as protagonistas são todas muito diferentes, seja a nível de personalidade ou estético. Não são as bonequinhas perfeitas de Pretty Little Liars. A Hannah (Lena Dunham) tem um corpo que está longe de ser perfeito, mas aparece nua imensas vezes ao longo da série. As cenas de sexo também são bastante cruas e realistas. Longe das carícias delico-doces em baixo do lençol com uma música melosa que se vê nas comédias românticas. E isso é muito refrescante de ver na TV. Já li algures que só vai haver mais uma temporada e tenho mesmo muita pena caso isso seja verdade.

Então e vocês, que séries é que não conseguem parar de ver?

1 comentário:

  1. Olá. Gosto do teu blog. Gostava de te sugerir um artigo onde falasses da tua mudança para Lisboa e do que te mantém aí, como é viver e trabalhar aí

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