Pinterest descodificado

16:46:00 Inês de Almeida 0 Comments


Ah, as redes sociais. Todos conhecemos e todos usamos (tirando gente com mais de cem anos, malta que é do contra só porque sim, ou quem vive num ermo). Por isso decidi fazer uma série de posts com o que aprendi/acho de cada uma delas (o do Instagram está aqui). Tirando o LinkedIn, claro (alô? quem é que usa essa merda mesmo?). Então vamos começar pelo Pinterest. Em modo lista, tal como eu gosto. Uma gaja tem de organizar bem as ideias.

Ora bem, comecei por usar esta rede quando estava desempregada (antes do estágio). Estar desempregada, morar numa aldeia e não ter carta faz com que até um documentário sobre os rituais de acasalamento dos guaxinins pareça interessante. Portanto comecei a dedicar-me mais a tarefas inúteis, entre as quais se inclui o Pinterest. Mas vamos ao que importa.


O que aprendi com o Pinterest (se é que aprendi alguma coisa):



- Todas as roupas que se vê no Pinterest, até aquelas peças tendência que nos fazem torcer o nariz ou parecem mais ingratas, ficam bem às gajas. Porquê? Porque todas as raparigas, sem excepção, que se vê por esta rede social são altas, magérrimas, têm cabelos compridos e aparentemente sedosos, e nasceram com uma pele que já vem com efeito Photoshop (isto também vale para as miúdas que aparecem no Tumblr). Ensinaram-me que mais importante que a roupa, é quem a veste. Uma pessoa até se pode vestir de couture da cabeça aos pés, mas se estiver mal amanhada, gorda, flácida, com umas olheiras até ao chão e um cabelinho que mete dó, não há trapo nenhum que a faça brilhar.

Evidência 1

- Toda as miúdas são prendadas menos eu. Todas sabem fazer tranças XPTO, que vêm do cocuruto até sabe-se lá onde e, que claro, a elas não lhes dá uma aparência obscenamente ridícula e/ou infantil como a mim certamente daria. É por isso que nem tento. Algo que se vê muito por lá é o DIY (vulgo do it yourself), que para mim é, basicamente, sine qua non de: perca o seu tempo a fazer uma borrada para depois acabar por a meter onde pertence, ao lixo. Mas para estas miúdas, que põem pins de DIY no Pinterest, isso não acontece. Onde é que elas estão? É que nunca conheci ninguém na vida real que conseguisse transformar um carrinho de linhas num Ferrari. Provavelmente ainda bem.

Evidência 2

- Paisagens de fazer cair o queixo, casas que fazem o Querido Mudei a Casa parecer um programa de decoração feito por pessoas com necessidades especiais e pessoas jovens (a.k.a supostamente POBRES!) em destinos maravilhosos e festivais como o Glastonbury. Só me faz pensar duas coisas: a minha vida é uma merda e a minha vida é, de facto, uma valente merda. Pergunta: o Pinterest surgiu com o simples objectivo de aniquilar a auto-estima de uma tipa, certo? Certo? Então porque é que eu, ciente disto, continuo a ir lá perder o meu tempo? Mistérios insondáveis da minha personalidade bipolar.


Evidência 3

- Frases inspiradoras. Bem, de algumas até gosto. Mas há outras de bradar aos céus. Que falam de força, resiliência, superação, lutar contra obstáculos. Parece que consigo ouvir o Miguel Gonçalves em surdina a mandar-nos vender pipocas. Soooo anoying! A profusão desse tipo de máximas foleiras não se fica só pelo Pinterest. É uma praga que assola todas as redes sociais, sem excepção. Isso já ajuda a explicar as vendas dos livros do Paulo Coelho, as mentes fraquinhas que, aparentemente, se sentem melhor quando lêem conselhos de vão de escada. "Toda a gente quer sinceridade, mas nem toda a gente aguenta ouvir a verdade"SHUT THE FUCK UP!


Evidência 4

- Comidas maravilhosas. Oh, basta uma passagem rápida pelo Pinterest para vermos pratos capazes de seduzir até a anoréctica mais convicta. E muitos vêm com receita (nobody got time for that). O que vale é que também há muitos pins a motivar para o fitness, portanto a coisa fica ela por ela.

Evidência 5

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