Barbie politicamente correcta

13:15:00 Inês de Almeida 0 Comments


Se calhar vou soar a velho do Restelo aqui, mas será que fui a única pessoa que não rejubilou de felicidade quando hoje viu a notícia de que a Barbie já vem em todos os formatos e feitios? Há anos e anos que toda a gente reclamava acerca das formas irrealistas da Barbie e a Mattel acabou por ceder à pressão. [Quando digo toda a gente refiro-me às pseudo feministas com demasiado tempo para gastar]

Será que me está a escapar alguma coisa ou ainda estamos a falar de uma boneca? É que se formos por aí, também as Bratz não 'respeitam' a anatomia da mulher. E este extremismo pode estender-se a outros campos. O Peter Pan deixa de voar, porque os meninos não voam. O Harry Potter perde os poderes mágicos, porque na vida real não existe tal coisa. E por aí fora. Até o entretenimento estar completamente desprovido de fantasia, mas completamente em sintonia com a realidade. Ou uma realidade modificada e polida, que não perturbe a cabeça das criancinhas.

Ora, eu acho que isto é estar a menosprezar os mais novos. Não falo apenas sobre isto, mas de todo o movimento proteccionista que tem surgido em torno de patetices como esta. Estamos cada vez mais choninhas e com medos parvos. Eu cresci com a Barbie. Eu e tantas outras miúdas pelo mundo fora. Todas temos distúrbios alimentares? Crescemos infelizes a achar que nos devíamos assemelhar mais à Barbie? I don't think so. E isto porquê? Porque, ao contrário do que parece ser o pensamento vigente nos dias de hoje, as crianças ainda têm a capacidade de distinguir a realidade da fantasia.

Primeiro surgiu a Lammily (clicar para ver), com marcas de estrias, borbulhas e tatuagens. Ouviu-se falar da boneca na altura (claro que sim, é uma óptima notícia para ser partilhada), mas depois acabou por desaparecer. Suponho que tenha sido um sucesso de vendas (not). Porque raio é que uma criança vai querer uma boneca com borbulhas? As crianças nem sequer têm borbulhas, minha gente! Vão ter tempo para isso. E para perceber que não vão ser princesas e que não vão tropeçar no príncipe encantado sem mais nem menos, nem vão ter uma arca de vestidos sumptuosos à disposição. Entretanto podemos deixá-las sonhar um bocadinho ou isso agora também é anti-pedagógico?

0 comentários: